Foliculite: especialista explica a inflamação do pelo encravado

05/01/2017

Depilação pode provocar foliculite

Quem se depila frequentemente com cera ou lâmina já deve ter sofrido com os pelos encravados, aqueles fios que, ao invés de crescer normalmente, se curvam e penetram novamente na pele. Quando o problema se agrava, há risco da condição passar para uma infecção chamada foliculite. Essa inflamação ocorre no folículo piloso, uma estrutura dérmica que envolve o pelo e, dependendo da gravidade, pode causar perda permanente do fio ou cicatrizes.

“A infecção do folículo piloso pode ser superficial ou profunda, atingindo a totalidade do folículo. Existem várias regiões que podem surgir foliculite e as causa são as mais diversas. A mais comum é a depilação. Nesta hora podem ocorrer micro lesões, principalmente para quem usa lâmina, que propiciam a penetração da bactéria. Ou quando o pelo encrava, formando um corpo estranho. O organismo, por sua vez, reage e desencadeia uma reação inflamatória que pode levar à foliculite”, explica a dermatologista Thereza Pacheco, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Virilha, pernas, axilas, barba e glúteo são as regiões mais comuns para o surgimento da inflamação. Enquanto nas três primeiras áreas a causa mais habitual é a depilação, no glúteo o problema pode ter relação com as roupas que usamos e a temperatura do local no qual vivemos. “O calor e roupas muito apertadas e grossas, especialmente calças jeans e justas, em uma área de atrito como as nádegas podem propiciar a foliculite”, pontua a especialista. Apesar de mais raro, também é possível casos de foliculite no couro cabeludo. “Pacientes que têm seborreia (oleosidade) e dermatite seborreica (caspa) são os mais predispostos a ter foliculite do couro cabeludo”.

A inflamação aparece na forma de pequenas espinhas com ponta branca em torno de um ou mais folículos pilosos. A região ao redor também pode ficar avermelhada e dolorida. A maioria é superficial e tende a desaparecer com o tempo. Casos mais graves, no entanto, podem necessitar de acompanhamento médico e alguns precisam até de intervenção cirúrgica.

“Automedicação, espremer o local, assim como fazer uso de substâncias caseiras não são hábitos recomendados. A pústula pode se transformar em um abscesso e o paciente pode ter que fazer tratamentos com antibióticos e outros remédios. Casos mais graves precisam até de drenagem cirúrgica. Por isso, o ideal é procurar orientação médica ao perceber que a foliculite vai se agravar”, ressalta.

Prevenção

Segundo a dermatologista, a melhor forma de prevenir a foliculite é optando por métodos de depilação mais duradouros. A depilação a laser é uma das opções. “Esta técnica destrói o folículo piloso, evitando o processo infeccioso. Outra opção, porém não definitiva, é a fotodepilação. A luz intensa pulsada promove uma diminuição do pelo. O único problema é que para este método a mulher não pode se bronzear e mulheres morenas não podem se submeter à técnica. As duas opções seriam a prevenção ideal para quem tem foliculite decorrente da depilação com cera ou lâmina”, comenta.

Se o preço dos métodos não estiver cabendo no orçamento, a dica da dermatologista é ter cuidado redobrado ao se depilar, principalmente quem prefere recorrer à lâmina. “A lâmina deve passar pela área no sentido do crescimento do pelo, nunca ao contrário. Dessa forma, causa menos trauma à pele, principalmente quando o pelo é encaracolado. Esses fios têm maiores chances de desenvolver foliculite porque já nascem com uma tendência de encravar dentro da pele”, alerta.

No caso dos homens, a depilação da barba requer cuidados ainda mais especiais. “Primeiro, é preciso fazer uma limpeza da área antes de se barbear. Assim como em outras regiões, a lâmina também deve passar pelo rosto no sentido do crescimento do pelo, nunca ao contrário, principalmente porque no pescoço os pelos nascem desordenadamente e na hora que o homem raspa a região pode causar micro lesões na pele, propiciando a foliculite”, explica. A espuma usada deve ser tipo gel, fazendo com o que a lâmina deslize mais facilmente.

Outra dica para ambos os sexos é usar sempre aparelhos novos, de preferência com duas a três lâminas, pois o traumatismo na região é menor.

Vale lembrar que algumas pessoas têm maior predisposição a desenvolver foliculite e devem ficar atentas aos cuidados essenciais. “Obesos e pessoas com sobrepeso, por terem mais atrito com a roupa, podem ter foliculite com mais facilidade. Aqueles que convivem com a hiperidrose também, uma vez que a transpiração causa a hiper-hidratação da pele e aumenta a colonização das bactérias. A pele seca é mais resistente às ações externas”, finaliza a dermatologista.

Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional do Estado de São Paulo (SBD-RESP)

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